Selinho

Selinho

5 de maio de 2012

Ratoeira





No sábado passado para aproveitar o dia do trabalhador fui viajar com o meu marido para Santa Catarina, saímos de casa bem cedinho para pegar a estrada. Ao chegar na esquina das ruas Bento Gonçalves com Aparício Borges me deparei com aquele olhar que me deixou muito intrigada. 
O dono do olhar era um guri de no máximo 20 anos, bastante magro, roupa suja, mas não era velha. Pela aparência do rapaz fiquei pensando que se tratava de um morador de rua recente, não foram mais que dois minutos de observação para criar na minha cabeça várias hipóteses a respeito daquela vida. Mas a primeira hipótese que me veio foi de que se tratava de um usuário de crack. 
Pensei nisso... 
Como eu poderia ter certeza disso? 
Mas novamente o observei e então vi seus dentes, seu cabelo, e percebi que não eram de alguém que mora na rua há bastante tempo. 
Observei o olhar e esse é inconfundível , é um olhar de zumbi, de alguém que está no limite entre "o lado de cá e o de lá".
Pensei na sua família, será que saberiam o seu paradeiro? 
Pensei no seu futuro, que futuro numa situação dessas? 
Pensei se aquele era um problema pelo qual eu deveria me preocupar... Uma vez que estava saindo para passear.
Foi daí que lembrei de uma  história, que me foi contada pelos alunos da escola onde eu trabalho, e é ela que eu transcrevo agora, para que eu possa pensar bastante a respeito.
"RATOEIRA
Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos: 
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!! 
A galinha, disse: 
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, 
mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi até o porco e lhe disse: 
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !!!
- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse: 
- O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não !
Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. 
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro,ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher... O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. 
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. 
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco. 
A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo. 


Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que, quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco. 
O problema de um é problema de todos.



Durante nosso trajeto de carro contei a história para o meu marido e ficamos pensando ...
Primeiro nas escolhas da juventude...
Pensamos também nos nossos filhos, que estão vivendo neste meio, não como usuários, graças a Deus, mas muitas vezes como amigos de um ou outro jovem que não resiste e cai na armadilha das drogas, e esta é uma ratoeira e tanto.
Não dá para fingir que não é conosco. 
Sempre é.



19 de março de 2012

Só um bife ...


Estamos vivendo o tempo da quaresma, que é um tempo de espera. Um tempo de aquietar o coração, deixar de lado certas vaidades, libertar-se do orgulho e é tempo também de renúncia. Ok tudo isso para quem é cristão e acredita na ressureição de Cristo, como é o meu caso.
Escolhi uma renúncia concreta muito simples, mas deveras difícil de cumprir porque sou uma pessoa muito "carnívora", deixei de lado a ingestão diária de carne vermelha. Tem sido bem difícil sentar à mesa e escolher um franguinho ao invés de um bife suculento e mal passado. O que será que isso concretamente melhorará na minha vida e na minha pessoa é o que diariamente me pergunto e após refletir algum tempo me vem a resposta: isto me ajuda a ser senhora dos meus desejos, puxa vida isso não é pouco! Escolher o que vou renunciar me faz sentir uma pessoa mais equilibrada, não sou vítima das minhas vontades, elas de fato existem e são bem mais complexas que um bife mal passado, desde que eu não esteja com fome, porque com fome tudo perde a sua urgência e a sua subjetividade. Quando escolho o frango, percebo que também posso escolher a paciência ao invés da agressão, percebo que é possível deixar de lado as minhas impressões a respeito de um determinado assunto e tentar ver os fatos por outro ponto de vista, isto me faz mais tolerante comigo mesma e com quem me rodeia. Isso faz o meu coração estar melhor preparado para a Páscoa.
Veja bem... é só um bife, mas quanta coisa ele está me ensinando ...

3 de fevereiro de 2012

Cronologia do corpo

Oi gente!
Resolvi fazer esse post para me dar conta do processo físico que vivi nestes últimos dois anos.
Foi uma verdadeira revolução em todos os aspectos, minha vida mudou de rumo totalmente e me levou junto...
Foi uma metamorfose impressionante.
O meu corpo mudou totalmente.
Do ponto de vista físico me senti devastada.
Passei por tudo: perdi cabelo, engordei, fiquei inchada, debilitada, etc...
E o que me impressiona é a capacidade que o corpo tem de se refazer e aos poucos isso está ocorrendo, graças a Deus!
Às vezes fico incomodada pelas cicatrizes do meu corpo, que não são poucas. Mas esses dias eu li que as cicatrizes são as marcas da cura. Corte que não cicatriza, não está curado. Então minhas marcas de cura estão pelo corpo, dizendo aquilo que eu já sei ...
De tudo fica a certeza da vitória. Para continuar vivendo, valeu todo sacrifício!



22/04/2010:  Dias antes da primeira cirurgia para retirada do tumor.


09/05/2010: Pós cirúrgico



31/05/2010: Antes do terceiro procedimento cirúrgico, onde tive que retirar a prótese pois não se adaptou ao meu corpo naquele momento.




08/2010: Primeiros ensaios antes de raspar a cabeça.


Setembro/2010: Visual de peruca, tentando não engordar tanto, mesmo assim ganhei 15 kg.




30/11/2010: Final do tratamento: estafa e inchaço geral


13/01/2011 Primeira taça de espumante: meu "niver" pós término do tratamento.


 Fevereiro de 2011
Março de 2011

Julho/2011
agosto/2011

Agosto/2011

setembro/2011

agosto/2011


Outubro/2011
Formatura do filhão: setembro/2011


Novembro/2011


Dezembro/2011




Dezembro de 2011



Janeiro de 2012


28 de janeiro de 2012

Sobre as renúncias....


Ontem eu assisti ao filme "Os descendentes", com o ótimo George Clooney. O filme é um drama que nos faz pensar sobre as escolhas que fazemos ao longo da vida e daquelas que temos que fazer no final de uma vida. Às vezes é preciso escolher também por aqueles que amamos.
O filme é uma história linda sobre escolhas, ética, principalmente sobre ética e amor, principalmente sobre escolhas.
Um pouco da trama: o  personagem de George Clooney descobre que foi traído por sua esposa que agora encontra-se em um coma irreversível, portanto não há o que fazer, não tem como pedir explicações.  Então ele escolhe não se deixar levar por um sentimento revanchista, ele escolhe ser fiel ao seu amor, inclusive indo atrás do amante para que esse possa se despedir da esposa. É fato que ele não é nenhum santinho, o personagem se dá conta que de certa forma também era responsável por aquele caso da esposa. Não vou contar o que acontece para não perder a graça de quem ainda não assistiu, mas vou relatar a cena mais linda do filme: o personagem de George Clooney precisa se despedir da sua infiel esposa, e este é um momento cheio de puro amor, ou de um "amor puro", chega próximo dela, e beija-lhe a boca semi-morta, apenas um sopro de vida a mantém neste mundo e então ele se despede revelando-lhe todo o seu amor, nada de cobranças, nada de julgamentos... Apenas amor e que amor!
Acho que a vida  pode ser simples assim, mas a graça ou a desgraça dela está nas complicações que inevitavelmente todos passam ou buscam.
A morte nos devolve a simplicidade inicial, de fato todos nós vamos um dia morrer e não tem nada mais simples que isso. Não vale a pena se apegar demasiadamente à pessoas, fatos e coisas. Só poderemos levar a nossa memória, aquilo que vivemos e pelo qual lutamos: a nossa essência.
Sai do cinema muito impactada com a história. É uma ficção eu sei, mas ficção de uma coisa real. Não há nada mais real do que escolhas atrapalhadas. Em uma escolha não pensada, as consequências não são medidas e os estragos também não. Para cada escolha uma renúncia, já diz um sábio ditado.
Simples? Claro que não, renunciar é muito difícil, às vezes se quer tudo junto ao mesmo tempo e misturado.
Queremos um amor para vida inteira, porém somos fãs da novidade.
Queremos trabalho e um bom dinheiro no bolso, porém queremos vida em família, tempo para o lazer, etc,etc...
Queremos perdoar, mas é muito difícil renunciar ao orgulho.
E por aí vai uma lista infindável ...Pensar sobre ela é preciso, encontrar um equilíbrio também.
É preciso escolher, não há jeito, não dá para passar a vida inteira esperando a decisão de outros.
Não dá para esquecer: para cada escolha uma renúncia...

14 de janeiro de 2012

Adaptar-se ou rebelar-se?


Sobrevive quem melhor se adapta, já dizia Charles Darwin, eu penso que sobrevive quem se adapta as circunstâncias da vida sem ficar de vítima das mesmas.
Alguns fatos só necessitam de acolhimento.
Nosso desejo de controle é o que existe de mais perigoso e enlouquecedor.
Não controlamos nosso relógio biológico, que não para de girar, não seremos jovens para sempre, nem adultos... Seremos velhos, e que benção é ser velho, uma vez que teremos tido uma vida inteirinha para lembrar.
Também diante da morte há outra saída que não seja a aceitação? Todo o nosso pensamento positivo e a nossa fé se limitam quando nos deparamos com a morte.
Na vida não controlamos nada a nossa volta. Tudo é graça, tudo é benção. Esperar pelas borboletas: sim! Mas elas só chegarão em um jardim florido.
A única tecla de controle que possuímos é a da nossa própria existência ( e olhe lá), não alcançamos o outro, nem modificamos os fatos, certas coisas por mais que nos desagradem não temos o poder de mudar. Podemos sim modificarmos a nós mesmos e aceitar o que nos chega com tranquilidade e fé, inclusive a nossa própria história. Isso não significa que devemos nos acomodar em situações medíocres,  definitivamente não!!! Temos vontade, desejo e estes devem nos mover em direção ao nosso auto cuidado, não devemos ficar em relacionamentos e projetos que nos torturam, isso seria masoquismo e conscientemente acho eu que ninguém gosta de sofrer.
Equilíbrio é a palavra chave: um pouco de protagonismo aliado a um pouco de adaptação daquilo que não nos cabe controlar, tem chance de nos trazer paz de espírito, muito amor e muita felicidade. Acho que a melhor definição deste equilíbrio seria: aprender a fazer do limão uma limonada.
Será?
Estou pensando também...

21 de dezembro de 2011

É quase Natal!



É quase Natal, você já fez sua lista de presentes?
Montou sua árvore de Natal?
Quais são os presentes que vão constar na sua árvore, como está enfeitada?
Na minha árvore coloquei muitas bolas de amor vermelhas, um amor colorido alegre, cheio de vida! 
Também busquei algumas bolas verdes responsáveis em prover a esperança, algumas azuis responsáveis em nos lembrar que o Espírito Santo deve estar presente na festa, algumas douradas, para lembrar que fantasia e magia são convidados especiais da noite, coloquei também bolas cor de rosa para abrigar os sonhos de 2012. 
Ah e os meus presentes: meu amor, minha compreensão, meu desejo de tentar fazer feliz minha família, meus amigos e todos que fizeram parte deste ano, muito especial e também muito feliz. 
Após muita tempestade me sinto renovada pela esperança do menino que vai nascer. 
Que venha Jesus, meu coração te espera!